2020

Janeiro


O início deste ano de 2020 revela-se algo problemático para o Governo, dado que o documento base da sua governação, o Orçamento de Estado para este ano, não tem aprovação garantida, uma vez que ao invés do que sucedeu na legislatura anterior, não existe documento algum assinado com os partidos à esquerda do Governo, o que viabilizou esse desiderato no decorrer da XIII legislatura, de 26 de Novembro de 2015 a 25 de Outubro de 2019.

Tendo o atual Governo uma base minoritária no Parlamento, não pode deixar de negociar com os restantes partidos de modo a obter, de todos é praticamente impossível, mas de alguns, a possibilidade de votarem favoravelmente a proposta de orçamento ou, em caso extremo, de se absterem.

Não podemos deixar de salientar a posição do senhor Presidente da República, que afirma não estar preocupado com a aprovação do orçamento do estado, pois, segundo entendemos, ele pensa que o atual momento político não é favorável a convulsões e não seria compreensível que os partidos à esquerda do Partido Socialista votassem contra um orçamento que se pode considerar de continuidade da política seguida na legislatura anterior.

Embora compreendendo a afirmação do senhor Presidente da República, não podemos, também, de deixar de compreender as posições assumidas pelos restantes partidos.

Obviamente que os partidos situados no espectro político à direita do Partido Socialista não se sentirão, de modo algum, vocacionados para darem o seu voto favorável ou mesmo para se absterem, atendendo ao teor das suas votações no decorrer da legislatura anterior.

No que concerne aos partidos situados no espectro político à esquerda do Partido Socialista, parece-nos óbvio que tentarão “vender” cara a sua abstenção, tentando obter cedências que melhorem, segundo as suas perspetivas, as condições de vida dos cidadãos, para demonstrar que eles representam quem mais defende as classes mais desprotegidas, omitindo que foi graças à sua aquiescência que a política até agora seguida foi posta em prática.

Vamos aguardar que o bom senso não permita que o País caia num impasse, com acusações mútuas de falta de vontade política para ultrapassar linhas “vermelhas” que, com demasiada frequência, são suscitadas para justificar o que muitas das vezes é injustificável. Desejamos, acima de tudo, que o ano de 2020 nos traga a prosperidade pela qual todos ansiamos.

João Colaço